Queimadas ameaçam mais de 15 mil indígenas de 124 aldeias, aponta boletim do DSEI Parintins
Diante do agravamento, o Governo Federal por meio do DSEI Parintins emitiu o Alerta de Risco Epidemiológico Nº 06 e tem articulado uma série de medidas de contenção
Foto: Divulgação
O Distrito Sanitário Especial Indígena Parintins (DSEI PIN), que abrange cinco municípios do Amazonas e quatro do Pará, está em estado de alerta devido ao avanço das queimadas e da estiagem severa na região. De acordo com o Boletim Epidemiológico Nº 11, divulgado em 20 de outubro pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS/DSEI PIN) e pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o cenário exige resposta intersetorial para proteger a saúde das populações indígenas.
Segundo dados do Painel do Fogo – Indicadores do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), o mês de setembro registrou 208 focos de fogo ativos em terras indígenas no Amazonas e no Pará. Em outubro, esse número saltou para 501, totalizando 709 focos no período. Apesar do acumulado no mês, o boletim do DSEI Parintins destaca uma diminuição recente dos focos na última semana epidemiológica (41/2026), resultado direto da ação coordenada de brigadistas em Terras Indígenas e da ocorrência de chuvas nos últimos dias.
Impacto na saúde e nas aldeias
O cenário é crítico. Ao todo, 124 aldeias e uma população estimada de 15.463 habitantes estão diretamente impactadas pelos incêndios florestais e pela fumaça. Polos como Nova Esperança e Vila Nova II, em Maués; Ponta Alegre e Umirituba, em Barreirinha; Kuruatuba, em Aveiro; Riozinho e Kassawá, em Nhamundá; e São Francisco, em Parintins estão entre os mais afetados.
Ações de enfrentamento
Diante do agravamento, o Governo Federal por meio do DSEI Parintins emitiu o Alerta de Risco Epidemiológico Nº 06 e tem articulado uma série de medidas de contenção. Entre as ações realizadas estão a comunicação direta com as brigadas dos territórios de Andirá e Marau e com a Defesa Civil de Aveiro (PA), além da publicação de decretos de incêndio florestal em municípios como Parintins, Barreirinha e Maués.
Equipes realizaram visitas técnicas às cidades de Barreirinha e Nhamundá para alinhar ações com as Secretarias de Saúde e de Meio Ambiente, o Corpo de Bombeiros e a Assistência Social. Além disso, a vigilância epidemiológica foi intensificada para monitorar doenças transmissíveis e agravos respiratórios causados pela fumaça e pelo calor intenso.
Apoio dos municípios
O boletim também faz um apelo aos municípios de Barreirinha-AM, Maués-AM e Aveiro-PA. As prefeituras devem apoiar o DSEI na educação em saúde, capacitar as comunidades no combate a incêndios e treinar a população indígena para o manejo sustentável do solo, adotando práticas de “fogo sem virar incêndio e sem adoecer a aldeia”.
