Expedição médica atende população ribeirinha
Doutores das Águas vão realizar até 7 mil atendimentos médicos e odontológicos gratuitos
Marcos Aurélio Teixeira, médico clínico, professor da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic e coordenador do projeto Barco da Saúde. Foto: Divulgação
A dificuldade de acesso à saúde especializada em comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia vai além da distância percorrida pelos pacientes até uma unidade de atendimento. Segundo os organizadores da VII edição do Barco da Saúde, um dos maiores desafios continua sendo garantir que os tratamentos tenham continuidade após a passagem da equipe médica pelas localidades atendidas.
Iniciado no dia 27 de junho, a expedição percorrerá até o dia 8 de julho comunidades ao longo do rio Negro, entre o Amazonas e Roraima, levando atendimento médico e odontológico gratuito a cerca de 1.200 famílias na primeira etapa da missão. Somadas às demais fases realizadas pela ONG Doutores das Águas, a expectativa é alcançar entre 6 mil e 7 mil atendimentos nesta edição.
De acordo com o médico clínico Marcos Aurélio Teixeira, professor da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic e coordenador do projeto Barco da Saúde, embora a equipe realize diagnósticos especializados e encaminhamentos, muitos pacientes encontram dificuldades para prosseguir o tratamento na rede pública.
“O nosso maior desafio, contudo, é justamente garantir a continuidade desse processo após a nossa partida. Ainda temos algumas dificuldades em relação ao SUS. Mesmo fazendo relatórios consistentes, com toda a orientação e até o diagnóstico já feito pelos especialistas, chega a hora de passar pelo serviço de atendimento em saúde e não se dá continuidade a esse tratamento. Não entendemos ainda o motivo, mas falta fortalecer esse vínculo com o SUS da região”, explicou.
Doenças mais frequentes
Ao longo das seis expedições anteriores, a equipe identificou um perfil recorrente de problemas de saúde nas comunidades atendidas.
“Temos identificado quadros de diabetes e hipertensão arterial, que são comuns na população brasileira em geral. Além disso, temos visto também casos de desnutrição e de dermatoses, principalmente causadas por fungos, as famosas ‘tinhas’. Também lidamos com doenças infectocontagiosas próprias da região Norte do país, como a malária”, destacou o professor.
Segundo o coordenador, um dos resultados positivos observados ao longo dos anos está relacionado à saúde bucal infantil.
“Um ponto muito importante que temos observado com a aplicação do nosso trabalho, uma das coisas que mudou foi a questão da cárie nas crianças. É um trabalho persistente em todas as expedições, e a gente observa uma mudança na quantidade de cáries ou até algumas situações de cárie zero”, pontuou o coordenador.
Formação prática

Além da assistência às comunidades, o projeto também funciona como campo de formação para estudantes de Medicina e Odontologia da Faculdade São Leopoldo Mandic. Segundo o coordenador, a realidade encontrada na Amazônia exige dos futuros profissionais criatividade e capacidade de adaptação.
“Como costumamos dizer, eles precisam muitas vezes ‘reinventar a roda’: criar soluções e adaptar tratamentos em situações em que as ferramentas são limitadas.”
Ele afirma que a experiência também fortalece a formação humanizada dos estudantes.
“O aluno vivencia a medicina na prática de uma forma muito humana: aprende a dar atenção, a escutar o paciente, a examinar criteriosamente, mesmo em condições adversas, e a orientar dentro do que é possível.”
Expedição

Nesta edição, o Barco da Saúde partirá de Manaus e seguirá pelo Rio Negro até a comunidade de Xixuaú, na divisa entre Amazonas e Roraima. A equipe é formada por 45 integrantes, entre médicos, dentistas, enfermeiros, profissionais de apoio e estudantes.
Os atendimentos incluem especialidades como clínica médica, pediatria, ginecologia e obstetrícia, dermatologia, oftalmologia, odontologia e pequenos procedimentos cirúrgicos, além de ações de educação em saúde voltadas às comunidades ribeirinhas e indígenas.
