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Parintins recebe 23 ° Semana Nacional de Ciência e Tecnologia com programação voltada à aquicultura e à piscicultura

Programação reúne exposição, oficinas, palestras e minicursos sobre piscicultura, aquaponia, tecnologia do pescado e produção sustentável

20/10/2026 09h05 Por: Amanda Soares
Parintins recebe 23 ° Semana Nacional de Ciência e Tecnologia com programação voltada à aquicultura e à piscicultura

Foto: Divulgação

Parintins realiza, de 19 a 23 de outubro, as atividades da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que este ano tem como tema “Ciência Delas: Cultivando Conhecimento e Inovação — Piscicultura Sustentável para o Amazonas”. A iniciativa, promovida em todo o país pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, tem como objetivo aproximar a ciência da sociedade e ampliar o acesso ao conhecimento científico e tecnológico.

 

Em Parintins, a programação terá como destaque a aquicultura e a piscicultura, atividades consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico, a sustentabilidade e a segurança alimentar no Amazonas.

 

A abertura das atividades ao público ocorreu nesta última segunda-feira (19) no Complexo Benedito Azevedo, com uma feira de divulgação científica. A programação contará com exposições, demonstrações, atividades educativas para crianças e apresentação de tecnologias relacionadas à produção de peixes.

 

A iniciativa é realizada por pesquisadores e professores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), campus Parintins.

 

De acordo com a pesquisadora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura, doutora Elizabeth Gusmão, a proposta é levar conhecimento científico para diferentes públicos e mostrar a importância da aquicultura para o Amazonas.

 

“A ideia é popularizar a ciência, para que toda a sociedade seja capaz de entender o que se faz no Brasil, os investimentos em ciência e tecnologia e tenha acesso a esse conhecimento”, explicou.

 

Durante a feira, crianças e adultos poderão conhecer amostras relacionadas à produção de peixes, alimentação, sanidade e tecnologia do pescado. Também haverá aquário com peixes ornamentais, jogos educativos, quebra-cabeças, atividades de pintura e exibição do filme “Pepê, o Peixinho Aventureiro”, produzido para ensinar às crianças sobre preservação ambiental e produção sustentável.

 

A pesquisadora explicou que a aquicultura vai muito além da criação de peixes. A atividade engloba diferentes formas de produção de organismos aquáticos, como a criação de camarões, jacarés e algas. No Amazonas, entretanto, a piscicultura tem papel de destaque, principalmente com espécies como tambaqui e matrinxã.

 

O Estado também possui um dos maiores consumos per capita de pescado do país, especialmente nos municípios do interior. Para Elizabeth, investir em conhecimento e formação profissional é fundamental para fortalecer a atividade.

 

“Conhecimento, aprendizado e profissionalização são fundamentais para que uma atividade possa crescer e alavancar. É isso que a gente precisa”, destacou.

 

Programação segue até sexta-feira

 

As atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia seguem até sexta-feira (23), com programação concentrada no IFAM e em instituições parceiras, incluindo palestras, oficinas, aulas práticas e seis minicursos voltados à aquicultura.

 

Entre os temas estão reprodução de peixes, nutrição, sanidade, aquaponia, sistemas de produção em bioflocos e tecnologia do pescado.

 

As vagas são limitadas a aproximadamente 25 participantes por minicurso, e as inscrições podem ser feitas por meio da página do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura do INPA, no site https://pgaquicultura.inpa.gov.br/inscricoes-snct2026/ ,  onde também está disponível a programação completa.

 

Um dos destaques será o minicurso de aquaponia, ministrado pelo professor Lucas, que apresentará um sistema integrado de produção de peixes e hortaliças.

 

A tecnologia permite utilizar os nutrientes presentes na água da criação de peixes para o cultivo de vegetais, reduzindo a dependência da qualidade do solo e o uso de produtos químicos.

 

“É um sistema mais sustentável, com uso reduzido de produtos químicos, baixa capacidade de poluição ambiental e que permite produzir em locais onde a agricultura convencional não consegue chegar”, explicou o professor.

 

Tecnologia do pescado

 

Outro destaque será a oficina ministrada pelo professor Rogério, do IFAM, que abordará a tecnologia do pescado, incluindo formas de avaliar o frescor e a qualidade do peixe, além de técnicas de conservação e processamento.

 

Serão apresentadas técnicas como salga seca e úmida, marinados e defumação, além de possibilidades de transformação do pescado em produtos com maior valor agregado.

 

A programação também vai discutir o aproveitamento de resíduos de peixe, inclusive para a produção de alimentos destinados a animais de estimação, mostrando alternativas para reduzir desperdícios e criar novas oportunidades econômicas.

 

Desafios da piscicultura em Parintins

 

O professor Rogério também destacou alguns dos principais desafios enfrentados pelos piscicultores de Parintins, entre eles o acesso a alevinos e juvenis de espécies como tambaqui e matrinxã.

 

Segundo ele, muitos produtores precisam adquirir os peixes jovens em Manaus, e a logística de transporte pode comprometer a sobrevivência dos animais.

 

Outro problema é o preço da ração. Em Parintins, conforme relatado pelo professor, um saco pode chegar a cerca de R$ 100, enquanto produtores organizados em cooperativas de Manaus conseguem valores próximos de R$ 67.

 

Diante desse cenário, o IFAM trabalha na reestruturação de uma unidade educacional de produção em aquicultura, em parceria com a Prefeitura de Parintins, com a proposta de contribuir para a produção local de formas jovens de peixes e fortalecer novamente a piscicultura no município.

 

Também foi apresentado o projeto “Peixe no Quintal”, desenvolvido em Santa Fé, que utiliza tanques suspensos para incentivar pequenos produtores a conhecerem a piscicultura e utilizá-la inicialmente como alternativa de segurança alimentar.

 

A programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia busca, dessa forma, aproximar pesquisadores, estudantes, produtores e a população, mostrando como a ciência pode contribuir para atividades econômicas, ambientais e sociais importantes para a realidade amazônica.