Operação na Venezuela: o que se sabe sobre a ofensiva dos EUA e a captura de Nicolás Maduro
Ataques atingiram bases militares e áreas estratégicas em Caracas e outros estados
Explosão em Fuerte Tiuna, maior base militar da Venezuela — Foto: AFP
Em uma escalada militar sem precedentes na América Latina, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (3) que forças norte-americanas capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, durante uma ofensiva de grande porte realizada na madrugada.
Segundo Trump, a operação teve como alvo instalações estratégicas em diversas cidades venezuelanas, incluindo uma base da Força Aérea e o Forte Tiuna, principal complexo militar do país, localizado em Caracas. O presidente norte-americano confirmou a ação por meio da rede Truth Social, classificando-a como bem-sucedida e afirmando que Maduro e sua esposa foram retirados do país.
Os ataques começaram por volta das 2h no horário local (3h em Brasília). Moradores da capital relataram ao menos sete explosões de grande intensidade, além do sobrevoo de aeronaves em baixa altitude. Pontos considerados simbólicos do chavismo teriam sido atingidos.
Captura e destino de Maduro
De acordo com informações divulgadas por Trump, Nicolás Maduro e Cilia Flores foram detidos por unidades de elite e levados para fora da Venezuela por via aérea. Interlocutores do Partido Republicano afirmam que o objetivo central da incursão era a captura do líder chavista. Informações de bastidores do Senado dos EUA indicam que Maduro poderá ser julgado em território norte-americano por acusações criminais federais. O Departamento de Estado ainda não divulgou comunicado oficial detalhando a operação.
Impacto dos ataques e vítimas
O Ministério da Defesa da Venezuela classificou a ação como uma “invasão brutal”, realizada com mísseis e foguetes, alguns disparados por helicópteros de combate. As explosões ocorreram em áreas densamente povoadas de Caracas e também nos estados de Miranda e La Guaira.
A vice-presidente Delcy Rodríguez confirmou a existência de mortos e feridos, incluindo militares, funcionários do governo e civis, sem divulgar números oficiais.
Incertezas e reação do governo venezuelano
Em pronunciamento oficial, autoridades venezuelanas afirmaram estar em um “vácuo de informações” sobre a situação de Maduro e da primeira-dama. Delcy Rodríguez exigiu que o governo dos Estados Unidos apresente provas de que ambos estão vivos e em boas condições de saúde.
O país permanece sob decreto de estado de emergência nacional. O governo promete uma “resistência massiva” contra o que classificou como o maior ataque à soberania venezuelana em sua história.
Situação em Caracas
Após horas de intensa movimentação aérea e disparos de artilharia antiaérea, a capital venezuelana amanheceu sob clima de forte tensão. Jornalistas locais relatam que o espaço aéreo está mais tranquilo nas últimas horas, mas ainda há registros de queda no fornecimento de energia e instabilidade nas comunicações, o que dificulta a avaliação completa dos danos.
Repercussão Internacional
Em comunicado conjunto divulgado neste domingo (4), Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai condenaram o ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Eles manifestaram, ainda, grande preocupação com as ações militares conduzidas pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Na nota, os governos dos seis países citam a gravidade das ações registradas na Venezuela e reafirmam sua adesão aos princípios previstos na Carta das Nações Unidas, documento que representa as aspirações e conquistas da humanidade em direção à paz.
“Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano, que contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça de força, e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas.”
Ainda de acordo com o comunicado, os seis países avaliam que as ações constituem precedente “extremamente perigoso” para a paz e a segurança regional e colocam em risco a população civil.
“A situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, através do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem interferência externa e em conformidade com o direito internacional”.
“Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana”, completou o comunicado conjunto, que reafirma a América Latina e o Caribe como uma zona de paz, “construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção “.
Ao final da carta, os países signatários fazem um apelo à unidade regional que vá além das diferenças políticas diante de qualquer ação que ponha a estabilidade regional em risco.
Os países pedem ainda ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e aos Estados-membros de mecanismos multilaterais relevantes que ajudem a reduzir as tensões e a preservar a paz na região.
“Manifestamos nossa preocupação a qualquer tentativa de controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, que seja incompatível com o direito internacional e que ameace a estabilidade política, econômica e social da região”, concluiu o documento.
O que diz os Estado Unidos
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que os ataques lançados contra a Venezuela tiveram como objetivo central a captura do presidente Nicolás Maduro e a imposição direta do poder militar americano sobre o que classificou como uma “ditadura ilegal”. As declarações foram feitas durante coletiva de imprensa, a primeira do republicano após a ofensiva militar realizada durante a madrugada em Caracas.
Trump descreveu a operação como uma das maiores demonstrações de força dos Estados Unidos em décadas e afirmou que o ataque neutralizou completamente a capacidade militar venezuelana. Segundo ele, não houve baixas entre militares americanos nem perda de equipamentos.
“Uma exibição de poder como não se via desde a Segunda Guerra”
De acordo com Trump, a ofensiva utilizou forças “por ar, terra e mar” e teve como alvo uma área fortemente protegida no coração da capital venezuelana. “Foi um ataque que acho que as pessoas não viam desde a Segunda Guerra Mundial”, declarou. “Uma das exibições mais eficazes, surpreendentes e poderosas do poder americano e da competência dos nossos militares na história americana.”
O presidente afirmou que Maduro foi capturado “no escuro da madrugada”, com as luzes apagadas, graças ao que chamou de expertise das forças americanas. “Nenhuma nação no mundo poderia fazer o que os Estados Unidos fizeram ontem”, disse, ao elogiar a atuação conjunta das Forças Armadas e de agências policiais do país.
Acusações, prisão e julgamento nos EUA
Durante a coletiva, Trump afirmou que Maduro e a esposa, Cilia Flores, já foram formalmente acusados no Distrito Sul de Nova York por crimes relacionados ao narcotráfico. “Maduro e sua esposa irão agora encarar o poder total da justiça americana”, afirmou. Segundo ele, o casal estaria a caminho dos Estados Unidos, com destino final a Nova York ou Miami, onde será definido o local do julgamento.
O presidente voltou a associar o governo venezuelano a organizações criminosas e acusou Maduro de comandar uma rede de “narcoterrorismo” responsável pela morte de milhares de pessoas. “A ditadura ilegal de Maduro foi um reinado de uma rede criminosa imensa”, disse. “Ele nunca mais vai ameaçar um cidadão americano ou o povo da Venezuela.”
Presença dos EUA e ameaça de novos ataques
Trump declarou que os Estados Unidos permanecerão na Venezuela até que haja uma “transição adequada” de poder. Segundo ele, o país será administrado provisoriamente para garantir estabilidade, segurança e justiça. “Nós estamos lá agora e ficaremos até que uma transição apropriada aconteça”, afirmou, ao defender a reconstrução do setor petrolífero venezuelano com investimentos de empresas americanas.
O presidente também deixou claro que a possibilidade de novos ataques não está descartada. “Estamos preparados para lançar uma segunda onda de ataques, uma muito maior, se for necessário”, disse. Trump reforçou que o embargo ao petróleo venezuelano segue em vigor e alertou líderes políticos e militares do país. “O que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles”, afirmou.
Ao encerrar o discurso, Trump declarou que a ofensiva representa um marco na política externa americana. “A dominância americana no hemisfério ocidental nunca mais será questionada”, disse. Para ele, a operação torna os Estados Unidos e a região “mais seguros” e serve como um aviso a qualquer governo que ameace interesses ou cidadãos americanos.
*As informações são da Acrítica, Agência Brasil e do O Globo
