Omar Aziz repatria quatro prefeitos que deram vitória a Roberto Cidade
Gestores de Barcelos, Autazes, Borba e Manicoré estavam no campo político do senador antes da eleição, migraram para Cidade e agora retornam no segundo turno
Fotos: Divulgação/montagem/GPT
O senador Omar Aziz (PSD) começou o segundo turno não apenas buscando novos aliados, mas repatriando antigos. Quatro prefeitos que estiveram com Roberto Cidade (União Brasil) no primeiro turno retornaram ao campo político de Omar. Eles agregam ativo importante: comandam municípios onde Cidade venceu a eleição de domingo (4).
São eles Radson Rogerton dos Santos Alves, o Radinho, prefeito de Barcelos; José Thomé Neto, de Autazes; Raimundo Santana de Freitas, o Toco Santana, de Borba; e Lúcio Flávio do Rosário, de Manicoré. Os quatro anunciaram adesão a Omar depois de Cidade ficar fora do segundo turno.
O peso político da movimentação aparece quando os novos apoios são cruzados com as urnas. Roberto Cidade venceu em apenas seis dos 62 municípios amazonenses. Quatro deles, Barcelos, Autazes, Borba e Manicoré, estão justamente sob o comando dos prefeitos que agora passam a apoiar Omar.
Cidade venceu Omar nos quatro municípios
Em Barcelos, Cidade recebeu 3.778 votos, equivalentes a 50,79% dos válidos. Omar ficou em segundo, com 2.623 votos e 35,26%. A diferença foi de 1.155 votos e 15,53 pontos percentuais.
Em Borba, outra vitória expressiva: Cidade teve 8.720 votos, ou 48,86%, enquanto Omar recebeu 6.596, equivalentes a 36,96%. Foram 2.124 votos de vantagem para o candidato apoiado pelo prefeito Toco Santana.
Autazes foi ainda mais difícil para Omar. Cidade alcançou 43,52%, contra 22,38% do senador. Na apuração divulgada com dados do TSE, eram 9.657 votos para Cidade e 4.966 para Omar. David Almeida (Avante), com 22,76%, também aparecia ligeiramente à frente de Omar no município.
A maior demonstração de força de Cidade entre os quatro ocorreu em Manicoré. Ele conquistou 12.764 votos, ou 50,17% dos válidos. Omar recebeu 6.827 votos, 26,83%. A diferença chegou a 5.937 votos e 23,34 pontos percentuais.
O resultado de Manicoré chama ainda mais atenção porque Lúcio Flávio é filiado ao próprio PSD de Omar. O prefeito chegou a participar da convenção que lançou a candidatura do senador, mas, em agosto, mudou de lado e declarou apoio a Cidade. Agora retorna ao candidato de seu partido.
O caminho de ida e volta
É daí que vem o caráter de “repatriação” dos quatro prefeitos. Eles já haviam integrado, em momentos diferentes, o campo de alianças construído por Omar antes de Roberto Cidade consolidar sua candidatura ao governo.
Durante o primeiro turno, porém, escolheram Cidade. Em Barcelos e Autazes, a proximidade política dos prefeitos com o então governador pesou no alinhamento. Em Autazes, por exemplo, José Thomé Neto participou ativamente da campanha: uma publicação sua usando camisa de Cidade e associando uma agenda a uma obra estadual chegou a ser objeto de decisão da Justiça Eleitoral para retirada do conteúdo.
No Madeira, Cidade possuía um componente adicional de identidade regional. Embora tenha nascido em Manaus, sua família tem raízes em Manicoré. O próprio candidato já contou que avô, pai e tios nasceram no município e que cresceu navegando pelo rio Madeira.
Essa ligação foi explorada na campanha. Na reta final do primeiro turno, Cidade percorreu Nova Olinda do Norte, Borba, Novo Aripuanã e Manicoré e afirmou que tinha “raízes no Madeira” e que a história de sua família havia começado na região.
Assim, em Borba e Manicoré, o apoio das lideranças municipais encontrou também uma candidatura que se apresentava ao eleitorado como ligada historicamente à Calha do Madeira.
Omar recupera quatro dos seis redutos de Cidade
O movimento tem importância especial para a estratégia do segundo turno porque Cidade venceu somente seis municípios: Autazes, Barcelos, Borba, Manicoré, Maués e Nova Olinda do Norte.
Com a adesão dos prefeitos de quatro deles, Omar passa a ter ao seu lado os gestores de dois terços dos municípios conquistados por Cidade.
Isso não significa transferência automática dos votos. O eleitor decide independentemente da orientação dos prefeitos. Contudo, entrega à campanha de Omar estruturas políticas locais que demonstraram capacidade de mobilização no primeiro turno.
É justamente aí que está o ganho da operação política: Omar não precisa conquistar territórios desconhecidos. Ele recupera aliados que conhece e que, no primeiro turno, trabalharam para um adversário e conseguiram derrotá-lo dentro de seus próprios municípios.
Segundo turno começa com reuniões e alianças
A movimentação também revela qual foi uma das prioridades de Omar nas primeiras 48 horas depois das urnas.
Enquanto cumpriu uma agenda de entrevistas para avaliar o resultado do primeiro turno e apresentar as primeiras linhas da nova etapa da campanha, o senador manteve reuniões internas e conversas destinadas à recomposição e ampliação de sua base política.
O primeiro movimento de maior peso ocorreu em Manaus.
O prefeito Renato Junior (Avante), que trabalhou no primeiro turno pela candidatura do ex-prefeito David Almeida, anunciou apoio a Omar. David também aderiu à candidatura do senador depois de terminar a eleição em quarto lugar.
A adesão tem uma simbologia eleitoral adicional. Manaus foi um dos nove municípios em que Omar não venceu no primeiro turno. Maria do Carmo (PL), sua adversária no segundo turno, terminou em primeiro na capital.
No interior, Omar já havia mostrado forte capilaridade: venceu em 53 dos 62 municípios do Amazonas. Roberto Cidade ganhou seis e Maria do Carmo, três — Manaus, Apuí e Humaitá.
Ao trazer de volta os prefeitos de Barcelos, Autazes, Borba e Manicoré, Omar começa o segundo turno tentando mexer justamente na pequena faixa do mapa amazonense onde foi derrotado.
Dos nove municípios que escaparam de sua coluna no primeiro turno, quatro já têm agora seus prefeitos trabalhando pela candidatura dele.
É a primeira operação territorial da campanha de Omar para o segundo turno, e começa pelos lugares onde Roberto Cidade mostrou que esses prefeitos têm voto e capacidade de mobilização.
