Morre o jornalista Nelson Brilhante
O jornalista e radialista Nelson Brilhante, referência na cobertura esportiva do Amazonas, morreu aos 65 anos, em Parintins
Foto: Divulgação
Parintins perdeu neste domingo (14) uma de suas vozes mais conhecidas e uma de suas memórias mais generosas. Morreu, aos 65 anos, o jornalista, professor de Letras, radialista e comunicador Nelson Brilhante.
Internado há três dias em Parintins, Nelson Brilhante morreu no inicio da noite. Ele morava em Manaus nos últimos anos, mas havia retornado a ilha para viver aquilo que chamava de seu período sabático, uma espécie de reencontro com a cidade, os amigos e as lembranças que ajudou a construir ao longo de décadas.
Professor, repórter, apresentador, narrador esportivo e comentarista, Nelson Brilhante foi daqueles profissionais que não apenas testemunharam a história de Parintins. Ele fez parte dela.
Trabalhou na Rádio Alvorada de Parintins, onde se tornou uma referência para gerações de ouvintes, especialmente no esporte. Durante anos comandou a tradicional Resenha Esportiva, programa que transformava resultados de jogos em boas histórias e fazia dos bastidores do futebol assunto de conversa para a semana inteira. Também integrou a equipe do jornal A Crítica, em Manaus
Mas Nelson não era apenas um jornalista. Era um guardião de memórias.
Guardava fatos, personagens, datas e detalhes que pareciam morar exclusivamente em seus arquivos pessoais e em seu coração. Sabia histórias que não estavam nos livros, nem nos jornais, nem nos registros oficiais.
Há um segredo que ele carregou até o fim. Entre amigos, Nelson cultivava um mistério quase folclórico: nunca revelava qual era o boi de seu coração.
Em uma cidade dividida entre azul e vermelho, entre Caprichoso e Garantido, ele atravessou décadas sem entregar publicamente sua preferência.
Era um feito raro para um parintinense.
Agora, parte levando consigo esse segredo.
Levando também causos, personagens, memórias do rádio, do esporte, da política, da cultura e da própria cidade que talvez nunca sejam completamente conhecidos.
Parintins perde um jornalista, a comunicação perde uma voz e os amigos perdem um contador de histórias.
