MEC anuncia construção de 27 escolas indígenas no Amazonas
O ministro Camilo Santana afirmou que a medida é uma forma de diminuir a desigualdade no estado
Foto: Jeiza Russo
O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou nesta última quinta-feira (26), em Manaus, durante o lançamento do Censo Escolar 2025, a construção de 27 novas escolas indígenas, com investimento de R$ 104,3 milhões. Como ato simbólico para marcar o início das atividades, o ministro visitará uma comunidade indígena Sateré-Mawé, onde autoriza o funcionamento de uma escola.
“Hoje estarei visitando uma comunidade Sateré-Mawé. Nós vamos de van, vamos almoçar lá na comunidade. Vou até incluir a autorização para uma escola naquela comunidade, que foi uma reivindicação feita pela própria comunidade, e vou aproveitar para anunciar 117 escolas, sendo 27 delas aqui no Amazonas. Fora todas aquelas escolas que nós liberamos pelo PAR (Plano de Ações Articuladas), essas são escolas exclusivamente indígenas, autorizar e liberar”, disse.
Além disso, o ministro destacou a importância da primeira universidade indígena do Brasil, que foi anunciada pelo presidente Lula, lançada em novembro de 2025.
“A primeira Universidade Indígena do Brasil foi aprovada na Câmara, está sendo aprovada agora no Senado, que vai ser uma forma também de formar profissionais para essa área, e ampliamos, inclusive, também a bolsa do aluno de assistência estudantil do aluno indígena que está nas universidades federais. Nós ampliamos o valor para R$ 1.400 por mês e triplicamos o número de bolsas para o atendimento desses alunos nas universidades federais em todo o Brasil.”
Redução Histórica
Outro fator apresentado pelo MEC, durante o evento, foi a redução histórica da “distorção série-idade”, que é quando os alunos apresentam idade acima do que deveria para a série escolar em curso. Essa distorção era de 27,9% em 2021 e caiu para 17,6% em 2025.
No último ano do ensino médio, houve uma redução de 61%, passando de 22,57% para 13,99% em 2021.
“Reduzir a idade-série é uma das prioridades do MEC para evitar a evasão escolar ao longo dos anos na rede básica de educação. Quando uma criança não aprende a ler no final do segundo ano ou terceiro ano, isso compromete todo o rendimento escolar dela. Vai ter dificuldade no terceiro ano, no quarto ano, reprova. Isso vai retendo aquele aluno no fluxo escolar”, destacou.
Santana explicou que, na região Norte, esse desafio é ainda maior por conta de questões logísticas. “O Brasil tem realidades diferentes em cada região. Regiões como a região Norte, que têm desafios físicos, os desafios são maiores. São desafios maiores no acesso à escola, na contratação e qualidade dos professores, são desafios na conectividade (acesso à internet). Então, buscamos tratar o Brasil de forma diferente, regionalmente.”
Uma das medidas tomadas pelo MEC para enfrentar essas barreiras tem sido a conectividade. Questionado sobre as políticas públicas para o estado, o ministro afirmou que a região Norte foi a que mais cresceu no acesso à internet.
“Na conectividade da escola, é importante que o professor possa utilizar para fins pedagógicos. Nós só tínhamos 23% a 25%, para 60%. Foi a região que mais cresceu na conectividade”, informou Camilo Santana.
Creches no Amazonas
Questionado sobre as vagas de creches do estado, o ministro afirmou que a construção de creches e aumento de vagas são de responsabilidade das prefeituras, mas que o Governo Federal tem criado diálogos com os municípios para que priorizem a oferta de vagas, especialmente para evitar que os pais que trabalham não tenham onde deixar as crianças.
“Não podemos obrigar determinadas políticas aos estados e municípios, mas buscamos construir, no diálogo e na relação federativa, as políticas prioritárias que considera a educação básica brasileira, e creche é uma delas.”
Entre as ações apontadas pelo ministro como forma de ampliar o número de vagas estão a criação de programas de retomada de obras que estavam paradas, que somavam mais de 8 mil, e também o aumento de repasses por número de alunos matriculados.
“Nós ampliamos o valor aluno em creche em tempo integral por fator de ponderação do Fundeb. O que é isso? É o valor que o aluno recebe, o município recebe por aluno no ano. Nós ampliamos para creche em tempo integral no Brasil, ou seja, para estimular o prefeito — geralmente as creches são dos prefeitos — a ampliar as vagas de creche para as crianças de 0 a 3 anos.”
Pior desempenho no Enem
Durante o evento, o ministro foi questionado pela reportagem sobre quais políticas públicas estão sendo desenvolvidas no Amazonas, voltadas aos alunos do ensino médio, considerando que o estado registrou o pior desempenho no Enem 2024, em termos de notas. O dado consta no Ranking de Competitividade dos Estados 2025, divulgado em novembro de 2025 pelo Centro de Liderança Pública (CLP), com base em informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Camilo Santana ressaltou que, no momento, o principal foco é aumentar a adesão dos alunos no Amazonas. “Quando chegamos no MEC, havia sempre uma curva descendente quanto à participação dos alunos no Enem. A gente começou a estimular, porque o Enem é a porta de entrada para a universidade, para qualquer acesso, para ter acesso ao Sisu ou Prouni. Estamos estabelecendo estímulos para que os jovens possam fazer o Enem.”
Já como estratégia para aumentar a nota, que garante a entrada no ensino superior, o ministro destacou incentivos do programa “Pé de meia” e também aulas online e Inteligência Artificial capazes de corrigir provas e modelos de redação para a prova.
“No ano passado, lançamos o aplicativo Mec Enem, uma plataforma gratuita que estourou de acesso. É uma forma de os alunos se prepararem para o Enem, com simulados, questões do Enem passadas e com uma novidade: correção de redação em tempo real. Poucas plataformas têm, e somente pagas. E hoje você faz a prova e, em questão de segundos, ele corrige a prova. Faz a redação, bate a foto, faz a correção e já diz a nota e onde você errou”, informou.
Investimentos Novo Pac
De acordo com informações do MEC, serão construídas 117 novas escolas indígenas em todo o Brasil, com investimento de R$ 111 milhões do Novo Pac.
No Amazonas, a Universidade Federal do Amazonas também recebe investimentos, totalizando R$ 106,5 milhões em obras. Durante sua passagem no Amazonas, o ministro deve realizar vistoria da retomada da construção do prédio da Faculdade de Letras, que recebeu R$ 7,9 milhões; vistoria na construção do prédio da Faculdade de Estudos Sociais R$ 7,4 milhões e visita ao Laboratório de Inteligência Artificial.
