Curso de Direito da Fametro realiza júri simulado em Parintins
Atividade reproduziu um caso real e proporcionou aos alunos do 8º período experiência prática sobre o funcionamento do tribunal do júri.
Foto: Reprodução
Na noite da última quinta-feira (6/11), o curso de Direito da Fametro – unidade Parintins promoveu um júri simulado com os acadêmicos do 8º período. O evento, aberto ao público e com entrada gratuita, foi realizado no Fórum de Parintins, localizado na Estrada do Macurany.
O júri simulado é uma atividade acadêmica que reproduz o ambiente real de um tribunal, em que são apresentados argumentos de defesa e de acusação para a análise de um caso específico. A prática tem o objetivo de aproximar os estudantes da vivência profissional e do exercício jurídico.
Organizador da atividade, o professor Lucas Castro destacou que o júri simulado representa um importante momento de aplicação prática dos conteúdos aprendidos ao longo do curso.
“Para o curso de Direito, o júri simulado tem a função de colocar em prática tudo o que os alunos já aprenderam em sala de aula, toda a teoria estudada. O objetivo é levá-los à prática, na qual irão lidar com situações reais do mercado de trabalho. Hoje, trabalhamos com base em um caso verídico dos anos 80 e 90, permitindo que os alunos vivenciem a realidade do tribunal”, explicou o professor.
De acordo com Lucas, a atividade também contribui para o desenvolvimento de habilidades essenciais à formação jurídica.
“Eles estão treinando a sustentação oral e aprendendo a transformar teoria em prática. Também trabalham o medo de falar em público, já que o júri é aberto. Isso ajuda a perder o receio de defender um acusado, de lidar com a promotoria, com o juiz e de se posicionar em plenário. Essa experiência prepara os alunos para o mercado de trabalho e os torna profissionais mais autônomos”, afirmou.
A coordenadora do curso de Direito, advogada Nádia Lima, ressaltou a importância da integração entre teoria e prática no processo de formação dos futuros juristas.
“Quando os alunos participam de um júri simulado, eles se envolvem em todas as etapas: pesquisam o caso, selecionam jurados e encenam os papéis de réu, vítima e policial. Assim, vivenciam toda a dinâmica de um julgamento. O professor Lucas, ao trazer essa experiência para a sala de aula, proporciona uma vivência essencial que faz com que os alunos percebam sua capacidade de atuação também fora da faculdade”, destacou.
Presente no evento, a presidente da OAB em Parintins, advogada Claudia Vieiralves, parabenizou a instituição e os organizadores pela iniciativa.
“É extremamente importante a prática apresentada aqui pelo professor Lucas, pois mostra aos estudantes de Direito a realidade da profissão. Proporciona uma visão de como é o trabalho do advogado, do Ministério Público e do juiz — enfim, de toda a dinâmica que ocorre em um tribunal do júri. Estão de parabéns tanto a instituição quanto o professor pela ação”, afirmou.
Julgamento Escolhido
O julgamento escolhido para reproduzir foi o de Francisco das Chagas Costa Rocha, conhecido como Chico Picadinho, que ficou marcado como um dos criminosos mais temidos do Brasil. Seus assassinatos, cometidos com extrema crueldade, causaram grande comoção em São Paulo nas décadas de 1960 e 1970.
Em 1966, aos 24 anos, Chico Picadinho cometeu seu primeiro assassinato brutal. A vítima foi Maria das Graças Domingues, uma prostituta que atuava na região conhecida como Boca do Lixo, em São Paulo. Após matá-la, ele a violentou e esquartejou, espalhando partes do corpo pela cidade. O caso chocou a opinião pública e marcou o início de sua fama macabra, que lhe rendeu o apelido de “Chico Picadinho”, em referência ao modo como desmembrava suas vítimas.
Chico foi condenado pelo crime em 5 de agosto de 1966, recebendo 18 anos de prisão por homicídio qualificado, além de 2 anos e 6 meses por destruição de cadáver. Posteriormente, a pena foi reduzida para 14 anos e 4 meses. Durante o período em que esteve preso, estudou, trabalhou e chegou a se casar. Em 1974, conquistou a liberdade, após laudos psiquiátricos descartarem a hipótese de psicopatia.
Entretanto, dois anos e cinco meses após sua soltura, em 1976, ele cometeu outro assassinato. Em uma lanchonete, Chico Picadinho conheceu Ângela, uma prostituta de 34 anos. Os dois foram para o apartamento de um amigo de Chico, onde mantiveram relações sexuais. No local, ele acabou matando Ângela por estrangulamento, repetindo o padrão de violência de seu primeiro crime.
Após o assassinato, Chico tentou se desfazer do corpo da vítima utilizando instrumentos cortantes, em uma tentativa de ocultar o crime. No entanto, o plano falhou, e ele acabou fugindo do local em busca de um antigo companheiro de prisão que pudesse ajudá-lo.
Pouco tempo depois, foi localizado e preso novamente pela polícia, encerrando mais um capítulo de sua trajetória criminosa.
Chico Picadinho foi condenado a 22 anos e 6 meses de prisão, sendo considerado semi-imputável em razão de apresentar uma personalidade psicopática complexa.
Em 1994, passou por novos exames psiquiátricos e foi transferido para a Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, onde passou a receber acompanhamento médico. Na época, o Ministério Público solicitou sua interdição em regime fechado, alegando risco de reincidência.
Veja alguns registros:




