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Acordo Mercosul–União Europeia pode zerar imposto de importação para mais de 5 mil produtos brasileiros

Levantamento da CNI aponta que mais da metade dos produtos terá tarifa zero já na entrada em vigor do acordo, ampliando o acesso do Brasil ao comércio global.

19/01/2026 10h12 Por: G1
Acordo Mercosul–União Europeia pode zerar imposto de importação para mais de 5 mil produtos brasileiros

Contêineres em porto no RJ — Foto: Reprodução/TV Globo

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais de cinco mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que o acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor.

 

Segundo a CNI, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do acordo terão imposto de importação zerado na União Europeia logo na entrada em vigor do tratado. Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos para a redução tarifária.

 

Os acordos preferenciais e de livre comércio dos quais o Brasil participa atualmente cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens segundo a CNI. Com a entrada em vigor do acordo com a União Europeia, esse percentual deve subir para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global em 2024.

 

"Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), assegurando uma transição gradual e previsível", afirmou a CNI.

 

Para a confederação, esse desenho garante uma transição considerada previsível para a indústria brasileira, permitindo ajustes produtivos e tecnológicos antes da abertura total de alguns setores.

 

Indústria concentra o comércio entre Brasil e União Europeia

 

Os dados citados pela CNI mostram que a indústria sustenta a maior parte do comércio bilateral entre Brasil e União Europeia. Nas exportações brasileiras ao bloco europeu, 46,3% corresponderam a bens industriais.

 

Considerando apenas os insumos industriais, a participação foi de 56,6% das importações e de 34,2% das exportações em 2024, reforçando, segundo a CNI, a complementaridade entre as economias e o papel do acordo na modernização da indústria nacional.

 

 De acordo a entidade, a medida amplia de forma significativa o acesso do Brasil ao comércio global e cria um novo patamar de inserção internacional para a indústria nacional.

 

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do Brasil.

 

No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, o que representou 17,9% do total. Do lado das importações, 98,4% dos produtos provenientes da União Europeia foram bens da indústria de transformação.

 

Negociação iniciada em 1999

 

As tratativas começaram em 1999 e passaram por períodos de paralisação, retomadas e revisões técnicas e políticas ao longo dos anos.

 

O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis.

 

A expectativa é de que os efeitos econômicos ocorram de forma progressiva, à medida que as etapas de implementação forem concluídas e o acordo seja ratificado.

 

Lula não comparece à cerimônia de assinatura no Paraguai

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participou da cerimônia de assinatura do acordo em Assunção. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Lula permaneceu no país e cumpriu agenda oficial em Brasília.

 

Antes da assinatura em Assunção, no Paraguai, Lula se reuniu nos dias anteriores com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, encontro interpretado pelo Planalto como sinal político de apoio ao fechamento do acordo, mesmo sem a presença do presidente brasileiro no ato formal.